segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Compartilhando experiências


No período entre 2009.2 e 2010.1 estive “residindo” na Paraíba, mais exatamente em Campina Grande, em prol de um objetivo maior: minha vontade em cursar Psicologia. Estive integrada no citado curso durante um ano na Universidade Estadual da Paraíba, lugar onde fiz amizades verdadeiras, entendi o porquê conviver com pessoas distintas é tão complexo e ao mesmo tempo prazeroso, estive imersa em momentos difíceis, chorei mais do que devia, me senti triste muitas vezes, presenciei assaltos, lutei pra sentar em um ônibus lotado, em outros instantes fui inexplicavelmente feliz, aprendi muitíssimo, participei de alguns eventos, conheci professores dignos da minha eterna admiração, cativei e guardei com carinho a festinha de despedida e o mais importante: experienciei situações, lugares e palavras ímpares durante esse curto tempo.

Confesso que morar em Campina Grande não foi nada fácil, eu sofri “pra caramba”, mas tirei disso muitos aprendizados. Hoje sou mais forte, sei me virar na cozinha (não passo fome, rs.), meu senso de organização e responsabilidade aflorou, compreendi que existem sim amigos pra todas as horas, falar o que se pensa é necessário, se omitir nem sempre é legal, falsidade existe e só depois disso soube que a vida não é tão simples, mas a gente complica muita coisa.

Dos momentos que experienciei, e foram diversos, tem um em especial que guardo na memória há tempos, e tenho quase certeza que não esquecerei jamais. Em uma das nove disciplinas que cursei, em um ano nas terras paraibanas, Antropologia mais precisamente, o então docente (um daqueles que merece todo o meu esmero pela dedicação e sabedoria nas suas ações) que ministrava a comentada atividade curricular redirecionou grupos a fazer quantidade x de visitas a determinados lugares curiosos, que nunca tínhamos visitado antes e que poderia causar algum tipo de receio. De início fiquei meio temerosa com as sugestões de ambientes (sessões de despejo na igreja evangélica, hospital psiquiátrico, terreiro de umbanda, e outros), mas pensei “Eu tenho que ser forte, me superar” e fui, fui indo, fui me adaptando.

Pra onde você acha que meu grupo foi? Hospital Psiquiátrico! Assusta um pouco, né? Acredite, foi a MAIS incrível e significativa experiência que já vivenciei em toda a minha vida. Participei de duas visitas, vi muitas cenas marcantes, tive medo (não vou mentir), mas não me arrependo e iria novamente, quase chorei em determinados momentos, me sensibilizei (MUITO), auxiliei em brincadeiras. Presenciei situações inimagináveis lá dentro, o lugar não era nada muito bonito, nem confortável, nem nada. Assisti surtos, me comovi com o abandono de internos e a solidão expressa em seus olhos, o descaso era transparente. Fui mais forte do que pensei que seria, tive uma amiga que chorou 24h após uma visita de familiares dos internos, teve outra que se recusou a ir outras vezes, pois sentia uma energia pesada demais, aconteceu de outra ter a certeza de querer atuar naquele lugar, enfim.

Foi incrível, inenarrável. Não me arrependo, nem um segundo se quer. A Psicologia, a Psiquiatria, a Medicina são áreas fascinantes, de extrema riqueza de conhecimento. Concluindo este momento de desabafo e relato, após um ano na Paraíba resolvi voltar ao RN, e atualmente resido 5 dias da semana em Natal, cursando Psicologia na Universidade Potiguar, e os outros 2 dias em Currais Novos. E essa foi a minha história marcante, por hoje.

Comercialização dos sentimentos mediante o poder das Redes Sociais


Sinto em não ter postado com maior frequência nessas férias, mas estava precisando de mais tempo só pra mim, pra curtir, pra não fazer nada (rs), pra deixar as coisas rolarem, sair um pouco de mim e experimentar as coisas ao redor. Não que eu não faça isso naturalmente, porém senti uma necessidade maior, e assim o fiz. Aí você me pergunta: Como se sente agora? Sinto-me bem, feliz, amada, renovada e um tanto curiosa. Imagino que esteja se perguntando sobre o que estou curiosa. Hum... A vida, as pessoas e sua exposição constante nas redes sociais me assustam um pouco. Vou explicar o porquê disso.

Nos últimos tempos, é transparente que milhares e milhares de pessoas em todo o mundo estão diariamente antenados, vidrados, estáticos e até viciados nessas b-e-n-d-i-t-a-s ou m-a-l-d-i-t-a-s redes sociais (Twitter, Facebook, MSN, Orkut). E não é só isso, a coisa extrapola. Vejo-me diante de uma exposição exacerbada dos sentimentos, ações e acontecimentos de cada pessoa conectada nessas ambientes virtuais. Confesso que vez ou outra até eu me rendo a esses “encantos e banalidades”. Acredito que algumas pessoas se sintam tão confortáveis que pensem ser estes locais um diário portátil e cômodo, afinal unir o entretenimento a liberdade de expressão talvez seja como tomar um bom café no final da tarde ou ir a uma agitada balada durante a noite. São opções, ou melhor, cada um faz o que quer da sua vida, até aí tudo bem. Mas vamos concordar que tudo, tudo mesmo, tem seu limite. Leiloar seu coração, pedir perdão, sentir-se culpado, comentar situações corriqueiras diárias, declarar amor eterno ou descrever sua habilidade em nunca acertar nos relacionamento em plena rede social é um tanto sem noção. Pode parecer forte, mas isso sugere uma comercialização de sentimentos.

Os melhores sentimentos, pessoas e acontecimentos da nossa vida estão na realidade, no cara-a-cara, olho-no-olho. E também os piores, isso é viver. Não faça um comércio dos seus sentimentos, suas emoções não são publicidades gratuitas. Não há valor calculável para amar, ser amado, construir amizades verdadeiras, conquistar o abraço mais gostoso, o beijo que tira o fôlego, o simples “bom dia”, o ombro que conforta lágrimas, os conselhos que te ajudam a erguer a cabeça e seguir em frente, a boa conversa, o companheirismo, o respeito a si e ao próximo e inúmeros outros prazeres da maravilhosa vida que nos cerca. Aproveite o lindo sol que raia todos os dias, o clima chuvoso dos dias de inverno, surpreenda quem você gosta, ame-se sempre em primeiro, segundo e terceiro lugar, o resto vem.

A Psicologia não explica tudo, eu nunca disse que o faria e nem muito menos os grandes teóricos que filosofaram palavras célebres sobre comportamentos, a mente, medos, desconfortos, abordagens e outras coisas. Ser feliz não dói, não custa nada. Tente se expor menos nessas cogitadas e chamativas redes sociais, olhe para o que acontece lá fora. Se você usa desse meio para manter-se informado, tudo bem, que ótimo! Afinal a modernidade e a tecnologia estão hoje tão juntas visando um momento novo, uma ocasião onde as pessoas utilizam as redes sociais para marketing, publicidade, para veicular informações importantes, visto que já é claro o uso desses recursos por muitas e muitas pessoas.

Por fim, não estou dizendo que as redes sociais são ruins. Ruim pode ser o modo como você às usa. Aproveite as oportunidades, valorize seus sentimentos, sorria mais e acima de tudo, aprenda. Pequenos e simples gestos fazem a diferença. Aprenda com você, bem como com o seu próximo. Inteligência não é ser sempre “o mais esperto”, é saber fazer os encaixes certos, nos lugares certos.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Autismo: Um mundo particular


Ao escrever essa coluna, me vejo no dever de transmitir um pouco dos intensos estudos investidos a Psicologia. Uma busca, uma investigação e um processo de observação e escuta são pertinentes a essa área do conhecimento, por isso intento em transcrever a você, leitor, alguns relatos leigos, porém com parcial embasamento teórico sobre as inúmeras curiosidades, bem como realidades, da vida cotidiana de milhares e milhares de pessoas.

Portanto, venho discutir com você, lado a lado, dessa vez, uma polêmica e difícil situação recorrente em muitas famílias: o Autismo, termo que significa ausente ou perdido. Esta síndrome é definida como uma disfunção global do desenvolvimento, ou de forma mais simples, é um transtorno mental que afeta a comunicação e o comportamento humano. O Autismo pode ser significado por alterações já presentes antes dos três anos de idade, caracterizando-se através de mudanças qualitativas no ato de comunicar-se, na socialização e no uso da imaginação. A incidência é maior em meninos do que em meninas.

Faz-se válido salientar que um dos espectros mais conhecidos do Autismo, de forma mais grosseira, é a Síndrome de Asperger, diferenciando pela intensidade do acometimento. O Autismo tem como foco peculiar o isolamento do indivíduo portador e a auto-concentração, apresentando assim uma incapacidade inata para constituir relações afetivas, bem como para responder aos estímulos do meio. Sendo também conhecido como uma dificuldade que se exprime por um alheamento da criança ou adulto acerca do seu mundo exterior, encontrando-se centrado em si mesmo. Este transtorno compromete o desenvolvimento psiconeurológico, e em alguns casos pode apresentar retardo mental.

Grande parte das crianças autistas são aparentemente normais, mas passam o tempo submergidas em comportamentos ininteligíveis e hiperativos, totalmente distintos do comportamento de crianças típicas. Alguns dos principais sintomas do Autismo são: relacionamento interpessoal comprometido, dificuldade de relacionamento com outras crianças, atraso significativo ou ausência da linguagem verbal, mímica e gestual, pouco ou nenhum contato visual, preferência pela solidão e modos arredios, rotação de objetos, ausência de resposta aos métodos normais de ensino, insistência em gestos idênticos, não tem real medo do perigo, recusa colo ou afagos, dificuldade em expressar necessidades, e muitos outros.

Ainda não são notórias as causas particulares do Autismo, e também não há um tratamento específico. Logo, o diagnóstico preciso não é uma empreitada fácil para o profissional, já que pode haver problemas para distinguir entre crianças com autismo e crianças não-verbais com déficits de aprendizado. Pesquisas revelam que um tipo específico de intervenção pode funcionar bem por certo período nos anos anteriores à escolarização, e não funcionar tão bem nos anos subsequentes. Pensando assim, se uma criança for diagnosticada com Autismo ainda quando pequena, há maiores chances de restringir os sintomas, e consequentemente a melhora da convivência com a família e com a sociedade.

De modo geral, o Autismo é ainda um grande tabu entre as famílias, o não aceitar e o não saber lhe dar com a criança portadora desta síndrome muitas vezes ocasiona conflitos no relacionamento, ocorrendo um choque psicológico, que aos poucos diminui, mas nunca acaba por inteiro. Não é algo fácil e nem ao menos comum, mas é possível haver uma adaptação direcionada a essas pessoas, para que então se possa ter uma vida melhor e com mais qualidade. Ter um parente Autista demanda paciência e compreensão.

Boa leitura.