No período entre 2009.2 e 2010.1 estive “residindo” na Paraíba, mais exatamente em Campina Grande, em prol de um objetivo maior: minha vontade em cursar Psicologia. Estive integrada no citado curso durante um ano na Universidade Estadual da Paraíba, lugar onde fiz amizades verdadeiras, entendi o porquê conviver com pessoas distintas é tão complexo e ao mesmo tempo prazeroso, estive imersa em momentos difíceis, chorei mais do que devia, me senti triste muitas vezes, presenciei assaltos, lutei pra sentar em um ônibus lotado, em outros instantes fui inexplicavelmente feliz, aprendi muitíssimo, participei de alguns eventos, conheci professores dignos da minha eterna admiração, cativei e guardei com carinho a festinha de despedida e o mais importante: experienciei situações, lugares e palavras ímpares durante esse curto tempo.
Confesso que morar em Campina Grande não foi nada fácil, eu sofri “pra caramba”, mas tirei disso muitos aprendizados. Hoje sou mais forte, sei me virar na cozinha (não passo fome, rs.), meu senso de organização e responsabilidade aflorou, compreendi que existem sim amigos pra todas as horas, falar o que se pensa é necessário, se omitir nem sempre é legal, falsidade existe e só depois disso soube que a vida não é tão simples, mas a gente complica muita coisa.
Dos momentos que experienciei, e foram diversos, tem um em especial que guardo na memória há tempos, e tenho quase certeza que não esquecerei jamais. Em uma das nove disciplinas que cursei, em um ano nas terras paraibanas, Antropologia mais precisamente, o então docente (um daqueles que merece todo o meu esmero pela dedicação e sabedoria nas suas ações) que ministrava a comentada atividade curricular redirecionou grupos a fazer quantidade x de visitas a determinados lugares curiosos, que nunca tínhamos visitado antes e que poderia causar algum tipo de receio. De início fiquei meio temerosa com as sugestões de ambientes (sessões de despejo na igreja evangélica, hospital psiquiátrico, terreiro de umbanda, e outros), mas pensei “Eu tenho que ser forte, me superar” e fui, fui indo, fui me adaptando.
Pra onde você acha que meu grupo foi? Hospital Psiquiátrico! Assusta um pouco, né? Acredite, foi a MAIS incrível e significativa experiência que já vivenciei em toda a minha vida. Participei de duas visitas, vi muitas cenas marcantes, tive medo (não vou mentir), mas não me arrependo e iria novamente, quase chorei em determinados momentos, me sensibilizei (MUITO), auxiliei em brincadeiras. Presenciei situações inimagináveis lá dentro, o lugar não era nada muito bonito, nem confortável, nem nada. Assisti surtos, me comovi com o abandono de internos e a solidão expressa em seus olhos, o descaso era transparente. Fui mais forte do que pensei que seria, tive uma amiga que chorou 24h após uma visita de familiares dos internos, teve outra que se recusou a ir outras vezes, pois sentia uma energia pesada demais, aconteceu de outra ter a certeza de querer atuar naquele lugar, enfim.
Foi incrível, inenarrável. Não me arrependo, nem um segundo se quer. A Psicologia, a Psiquiatria, a Medicina são áreas fascinantes, de extrema riqueza de conhecimento. Concluindo este momento de desabafo e relato, após um ano na Paraíba resolvi voltar ao RN, e atualmente resido 5 dias da semana em Natal, cursando Psicologia na Universidade Potiguar, e os outros 2 dias em Currais Novos. E essa foi a minha história marcante, por hoje.

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